Translate

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Não posso deixar virar o ano sem falar de... Música

Este ano, como muitos outros foi rico em muita música... variada e em abundância seja em concertos, festivais e até em eurovisões.
MAS... Para mim... E a minha opinião vale o que vale, nem todos temos os mesmos gostos, as grandes prendas de Natal antecipadas foram mesmo o lançamento e apresentação do último álbum de MOONSPELL - 1755 e a apresentação do novo álbum e projecto da linda e talentosa Anneke van Giersbergen com VUUR - In This Moment We Are Free - Cities.

Começando pela prata da casa, MOONSPELL,  tenho de admitir que depois do Extinct fiquei um pouco em lume brando com a banda. O Alpha Noir Omega White foi um álbum que me agradou muito, apesar de calmo e tranquilo, mas com o Extinct desconectei da banda porque sempre me agradou as sonoridades mais antigas da banda. 1755 veio como uma chapada de luva branca que os MOONSPELL são a banda de referência do metal nacional. Voltaram aos primórdios em busca das sonoridades, inovaram e ainda abrilhantaram com um álbum totalmente cantado em português. 
Caramba... A primeira reacção que tive ao ouvir o álbum pela primeira vez foi: FDX!!! Bem vindos de volta CRL!!! ADORO!!! Está de mestre. 1755 é uma preciosidade, pelo tema escolhido, pelo cuidado das letras, pela inovação sonora com os arranjos acusticos e clássicos, pela escolha do encadeamento das músicas e ritmo, pelas vozes de apoio, TUDO!!!! PERFEITO!!! Se há relatos históricos acerca do terramoto de 1755 este álbum é sem dúvida um relato musical artístico e cuidado desse dia que deveria ser obrigatório ouvir. Pormenores presentes desde a posição inquisidora e dominadora da igreja através do medo ao relato da desolação final que a lanterna dos afogados tão bem retrata ou o desespero retratada com Todos os Santos. Para mim todo o álbum demonstra um cuidado extremo, tanto de pesquisa como de elaboração. Por isso aconselha-se a todo o português  metaleiro (ou não) a ouvir.


Passando a VUUR: Quem conhece e gosta de THE GATHERING conhece Anneke van Giersbergen. Se não conhecer anda a dormir. Para além de fazer parte do mundo do metal progressivo, vá!!! Se quisermos catalogar a coisa. Esta senhora com cara de menina já fez uns quantos projetos musicas dentro e fora da sonoridade mais pesada. Já fez umas perninhas com November Doom, Anathema e MOONSPELL. Por isso, se gostas de Metal e não conheces esta senhora andas a dormir. O melhor é que esta senhora regressou e regressou em força com VUUR. Se andava farta de ver e ouvir bandas de metal ou sonoridades mais pesadas, que andava. Se andava a achar que tudo soava ao mesmo e que já fazia falta algo... diferente, esta senhora serviu em bandeja de prata o In This Moment We Are Free - Cities. É o álbum!!! É o álbum que conquistou muita gente e que fez alguns ficarem de pestana aberta na sala Tejo do Altice Arena no passado dia 21 de Novembro. Para além da voz dela nunca dececionar as músicas são profundas e sentidas com a particularidade de todas em certa altura terem a frase "In this moment". A interpretação que tiro deste álbum é que a Anneke estava cheia de saudades e vontade de fazer algo assim, e ainda bem. Sejas bem regressada miúda. A malta agradece!!!

Outra banda que tenho de referir e que como prenda de natal antecipada receberam a possibilidade de abrir para Lacuna Coil no Hard Rock no Porto são os BLAME ZEUS. Acho que não é a primeira vez que este nome surge aqui no SemEspinhas mas o álbum que lançaram em Março Theory of Perception não dececiona, muito pelo contrário. Está um pouco mais comercial do que o álbum de estreia Identity, mas muito bem pensado e concebido. Aliás, não conheço nada mal concebido nesta banda e quem os vê ao vivo sabe que rigor e sonoridade fiel é característica da banda. São portugueses e merecem ser falados e até aparecerem na TV. Porque não??? São de um rock muito bem conseguido, com medidas de peso bem tiradas e com uma sonoridade sem falhas. Toca a descobrir.


Não me ocorre mais nada para destacar. Lamento se dececiono alguém, mas à primeira são estas as bandas que me surgem na minha aérea cabecinha.
Por isso, se não sabes o que pedir ou oferecer neste natal faz um favor a ti mesmo e descobre estes três álbuns e não te arrependerás.

Ficam aqui umas amostras:

MOONSPELL



VUUR


BLAME ZEUS





sábado, 2 de dezembro de 2017

SEMPRE... ZÉ PEDRO

A primeira vez que vi Xutos tinha 12 ou 13 anos, foi em Alvalade no espectáculo Portugal ao Vivo. Entre outras bandas, que acompanho até hoje e outras que se perderam no tempo, como  também alguns músicos partiram, sei que adorei os espéctáculo, a música e a irrevência. Partiram aquela merda toda!!!! Foi brutal!!! Para além do espectáculo de luzes, a pirotécnia, as bonecas gigantes insufláveis nas laterais do palco, o especátulo de strip (sim, ouve disso e ninguém morreu) o rock foi sempre a subir e para além de todas as memórias que partilho aqui, e outras que guardo, ficaram gravados também os sorrisos dos membros da banda. De todos. Voltei a ver Xutos inúmeras vezes, como também muita gente. Porque de Xutos quase nunca sentíamos saudades. Eles apareciam sempre, ao ponto de chegar a comentar: "Xutos outra vez???!!!" 
Mas o que é certo é que eles são a alma do Rock Português PURO, e cantado em PORTUGUÊS, e bandas assim sobreviveram poucas de tantas que apareceram após o 25 de abril de 1974 e que no ínicio dos anos 80 viviam da louca e bendita liberdade cultural, social e comportamental que reinava em Portugal.
Xutos surgiram como tantas outras, permaneceram como quantas poucas, abriram portas a muitas outras e ainda cá andam como quase nenhumas.
"Xutos para sempre até morrer"! grita alguém hoje na despedida de Zé Pedro e assim deve ser. Xutos continuarão, sem Zé Pedro no palco mas na lembrança, no coração, nas memórias através das músicas. 
Xutos não serão a mesma coisa. Pois não serão com certeza, mas a música será sempre Xutos e lembraremos sempre Zé Pedro como também Xutos lembrarão, porque cada música é XUTOS e PONTAPÉS e serão sempre Kalú, João Cabeleira, Tim, Zé Leonel, Gui e ZÉ PEDRO.
Xutos são o nosso Rock, quer se goste ou não, quer se oiça ou não e quer se dê o devido valor ou não.
Na última vez que vi Xutos foi antes de ver Rolling Stones em 2014 e diverti-me, gostei bastante e o mais caricato é que até os Rolling Stones lhes fizeram a devida vénia.
Fica aqui a minha humilde vénia ao Sr. Comendador Zé Pedro.
Até sempre e Xutos para sempre até morrer, porque assim é que tem de ser.