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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016 em balanço II: Licença de férias para maternidade.

Da primeira vez que fui mãe ouvi a mesma piada recorrente de alguns homens e, de forma  mais camuflada, de algumas (poucas) mulheres: "Ena ena, este ano à conta do bebé ganhaste umas belas férias." O que dizer de uma merda de piada destas?
1) tens à vontade com a pessoa e depois de a mandar mamar na quinta pata do cavalo afirmas: " Se para ti férias é ter a passarinha em carne viva,  andar cheia de dores,  acordar de 3 em 3 horas ( na melhor das hipoteses) para dar de mamar,  estar 1 hora a dar peito e a suportar as dores que isso implica, mais uma hora para colocar o bebé a arrotar,  mudar fralda e quanco finalmente ele adormece pensas que podes ir à casa de banho fazer o n°1, ou talvez, se tiveres sorte, lavar os dentes o até a loucura de tomar banho, e quando das por ti volta tudo ao mesmo porque já está na hora de dar peito outra vez, be my guest!!! "
2) Sorris e dizes algo do género: " Faz o mesmo. Empranha! Vai na volta até és capaz."

Então o que se faz neste período de férias em casa em modo vaca leiteira em ordenha?  Vê-se televisão.  Não se vê filmes. Nem séries,  nem se lê livros. Isso requer ausência de interrupções. Vê-se o pior que há em televisão.  E quando se tem cabo... É a loucura.  Desde culinária avançada com pratos que até gostarias de experimentar fazer mas sabes que isso nunca irá acontecer porque se nem consegues tomar banho com calma esquece cozinhar. Programas sem qualquer nexo mas que parece um big brothe temático oh então jm reality show em que segues a vida das estrelas em que todos têm umas vidas espectaculares com grandes casas e bons carros, muita roupa, caras maquilhadas e plásticas disformes mas depois não sabem se têm verdadeiros amigos, se o amor é puro ou interesseiro e parecem todos uns bonecos de cera.
Sim... andei a ver Keeping up with the Kardashians . E basicamente resume-se a isso. Se eu fosse homem daquela familia tinha muito cuidado. Ou acabam hospitalizados ou então viram transsexuais.  MEDO!!! MUITO MEDO!
Como já deu para reparar foram u as férias do melhor.

sábado, 17 de dezembro de 2016

2016 em balanço I : parto normal vs cesariana

Com tanto em atraso que só mesmo um balanço final anual para colocar tudo em dia. Enquanto não for possível fazer ligação directa da mente ao teclado à semelhança da ligação de comando que o cérebro exerce sobre a mão para escrever muito se perde e perderá neste pequeno e singelo blog.
O meu ano não poderia  começar da melhor forma e com mais um marco que guardarei até ao meu último suspiro (apesar de ter perdido o concerto de Machine Head). O nascimento do meu segundo filho. O nascimento dos filhos é uma MARCA eterna que supera tudo. Este doce acontecimento foi diferente pela paz, ternura e acomanhamento que senti de quem está a meu lado. Mais doce foi também a presença do tesouro durante todo o processo. Do alto da sua tenra idade de criança pré-adolescente mostrou o coração enorme que tem e a sua sensibilidade.  É um homem, foi um pequeno Homem que recebeu o mano com amor carinho e hierarquia guardiã que um irmão mais velho sente e transmite. És Enorme meu Tesouro e sei que serás sempre.
Mas engane-se quem pensa que isto de parir a caminho do fim dos trinta é pêra doce. Naaaaaa. Nem que as maleitas que devo queixar-me sejam  as noites mal dormidas, as arrelias das cólicas e bichos e bichezas que fazem qualquer mãe de primeira viagem ir a correr para o hospital. NADA DISSO.
Uma coisa que me arrelia nesta coisa de parir ao natural ou cesariana são mais os queixumes do que será pior. Infelizmente não fiz cesariana das duas vezes para ter comparação.  Mas que é uma merda recuperar de um parto natural é seguem já as razões horrendas:
     Quando a coisa esfria e a anestesia passa, a sensação de dor e arrepanhado na pele depois de uma operação DOI! E muito!  Doi para caralho. Tanto que doi que nem se pode rir ou respirar mais à vontade. Isto numa zona tipo barriga ou peito. Acham que na patareca é melhor???!!!! Caminhar são agulhas que tens ali espetadas na zona mais sensível e intima do teu corpo. Urinar é com se tivesses uma escova de arames de aço a fustigar onde outrora tinhas prazer e sensibilidade, algo que começas a duvidar se alguma vez recuperará.  E defecar???? Defecar???? Há há há!!!! Até rezas para não acontecer porque a aflição e as dores são tantas que parece que rebentam os pontos todos e que estás a parir outra vez. Choras de aflição e dor. Tudo o que doi está fora o sítio e isso minhas amigas queixosas das cesarianas são os pontos na patareca que estão à vista e os que estão dentro de nós que os sentimos até à garganta quando nos mexemos o pouco que seja. São as hemorróidas que estão em flor e inflamadas fora do nosso cu e que nos atormentam só pelo facto de estarem entaladas na gavetinha das nádegas.  Por isso é que nem do primeiro e nem do segundo partos andei fresca e fofa a passear pelos centros comerciais de carrinho nem recuperei a minha figura no ginásio.  Pois é!  Digamos que foi das duas vezes algo muito difícil de recuperar. Por isso têm a minha simpatia se me falarem de peitos gretados em sangue, noites mal dormidas e até traição dos companheiros e pais das crianças porque se lembram de ser umas bestas quadradas e não entenderem o trauma que estamos a passar. Agora chorarem-se por causa da cesariana?  Nem pensem... vou ignorar-vos com toda a certeza!!!
Relativamente a pós partos estou aliviada... e recuperada. Custou... mas foi. O organismo da mulher é uma maravilha da natureza. Somos fortes,  somos únicas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Espinhaço do metal


Muito se tem falado e escrito acerca do Metal no panorama nacional. Há uns 5/6 anos para cá a projecção do underground tem sido crescente. Ou talvez seja a sensibilidade mais projectada para esta temática.  Tentado aceder às lembranças mais remotas tenho como referência a Blitz e a Supersom como as revistas de referência a nível de rock, metal e música alternativa.  Isto numa realidade em que a internet era um vislumbre,  os telemóveis tijolos e nunca na vida se pensaria na realidade on-line, instantânea e imediata em que vivemos hoje.
O que é certo é somos mais que as mães. Sejam metaleiros, sejam concertos, festivais, espectáculos, blogs, rádios em stream (não as de antena porque infelizmente não há quem aposte nisso e temos infelizmente o exemplo da Super FM QUE É A UNICA RADIO EM FM a passar verdadeiro ROCK em Portugal). A oferta é tanta que até corremos o risco de se perder o verdadeiro metaleiro.
O que será isto do verdadeiro metaleiro?  Nem se sabe bem. Constata-se é que parece moda.  Há os old school. Que sabem a cartilha toda dos clássicos e dos mestres (como Led Zeppelin,  Ozzy Osborne,  Ramones, Rolling Stones até mesmo os Metallica e os Manowar e Iron Maiden), há os que ficam ali pelo meio em que curtem os clássicos mas apreciam o som do nu metal típico dos anos 90 e do fenómeno dos grupos grunge (os RAMP, MOONSPELL, Faith no More, Megadeth, System of a Down, Soundgarden... e podíamos continuar).
Depois há toda uma geração do agora em que se rende a novos sons: Bandas cujas referencias não parecem passar pelos clássicos mas sim entre elas, numa inovação de sonoridades ou num copianço que seguidas parecem todas tocar o mesmo.  Não há falta de oferta, como tudo o resto.  Há é falta de apoio e projecção.  Tanto que não se compreende como os grandes gigantes dos média,  festivais,  espectáculos ainda não pegaram neste negócio que sobrevive de carolice e de amor à camisola. Camisolas até existem, com nomes e emblemas dos clássicos da velha cartilha mas em nome da moda e não da música.  Quem as veste nem tem a minima ideia do que veste porque numa sociedade em que o comercial é fácil e para ser rentável tem de ser agressivo,  mesmo com as cores do arco-iris. O preto do metaleiro ainda transparece a invulgaridade e esquesitice a banir e a recear. Enquanto a irmandade do metal permanecer, a diferença de atitude e da visão das coisas e do que nos rodeia permanecem. E desta forma o metal será sempre diferente.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Back to the motherhood

Depois de um grande interregno, em que nem me dou ao luxo nem à coragem de ir ver, eis que regresso pelo motivo mais improvável. 
Pois é, aqui a je lembrou-se a 3 anos na porta dos 40 saborear o doce e doloroso sabor da maternidade, a menos de 1 mês de voltar a ser mãe de um rapaz (mais um) eis que decidi partilhar com as jovens mamãs e grávidas maduras como eu, seja ou não de primeira viagem, esta experiência única que todas adoramos recordar e dizer maravilhas para não fazermos má figura.
Não sei se vá por comparação com a gravidez do primeiro, ou se vá por pontos de referência. A única certeza é, que com certeza, há uma grande diferença, para além de 10 anos de intervalo, e o sentimento de não estar a ser justa à medida que texto corre. Os/as mais mente abertas ou compreensivas entenderão.
Pois bem:
Após o choque inicial e a digestão de que a gravidez é uma realidade, e logo no ponto de partida já a culpa tomou parte da minha consciência porque a realidade e os sentimentos são contrários à primeira em que a alegria e a euforia foram uma constante, eis que denotei que apesar de pensarmos o contrário a maior parte das vezes os primogénitos são uns sortudos nem que seja devido ao facto de que as mamãs não fazem a mínima ideia para o que vão. Claro que provavelmente no meu caso foi mais acentuado porque apesar de a 1ª gravidez ter sido planeada, desejada e em condições consideradas perfeitas revelou-se um parto traumático, sonhos por terra e uma família e casamento desfeitos, mas fiquei com um filho lindo, perfeito, inteligente que amo muito e que é o meu mundo.
Avançando...
Depois de o meu primogénito reagir muito bem à vinda de um irmão à sua realidade eis que um grande peso foi retirado dos meus ombros e dei-me ao luxo de viver esta gravidez da forma mais tranquila e positiva possível. Algo que não é fácil. Gerindo horários e a vida do mais velho com a minha e a do seio familiar que entretanto se constituiu antes deste bebé aparecer. Trabalho+escola do mais velho+actividades extra do mais velho+vida familiar+parceiro futuro pai e já pai de uma menina. Dou por mim a pensar "Bolas!!! Do primeiro era mais tranquilo. Que canseira! Quando tiver que andar com o pirralho ao colo e a mama do lado de fora a dar estas voltas vai ser lindo vai." Respiro fundo, conto até dez e mentalizo-me: "tranquila... quando chegar a altura aguentas".
Para não falar em saídas muito egoístas em que penso que no momento em que me sentia liberta de creches com prestações milionárias, fraldas, carrinhos, toda uma logística de peso e que já tínhamos putos que nos acompanhavam para quase tudo, eis que penso: "Tão depressa não seremos só nós os dois outra vez para namorar, chegar tarde, saborear umas belas garrafas de vinho e as outras cenas  como nos entretermos e brincarmos um com um outro até adormecermos." E o medo de que a história se repita e que acabe a braços com uma realidade que já conheço bem graças ao pai do primeiro.
A alegria quase contagiante dos amigos e alguns familiares mais próximos vai dando algum ânimo mas não necessariamente animando. É simpático vá!! Não nos dizem nada que já não saibamos e giro giro é estar alegre com a barriga dos outros. Sejamos francos.
Não me levem a mal, a sério. Acredito que muitos sejam sinceros e que realmente vendo as coisas agora, na recta final, viver uma gravidez outra vez era algo que sempre quis, apenas tinha descartado essa possibilidade devido às circunstancias da vida. Mas como já afirmei, a primeira experiência da maternidade tinha tudo para dar certo e foi o que foi, esta segunda que, em termos de comparação, é o oposto talvez seja a que vai vingar e quiçá seja o selo para uma relação duradoura, leal e verdadeira. À segunda volta os valores são outros e sejamos francos: NÃO HÁ PRÍNCIPES ENCANTADOS, MAS HÁ SAPOS QUE SÃO UM ENCANTO. Prefiro um sapo que seja um espectáculo do que um príncipe que seja uma besta quadrada.
Uma coisa que vem de uma segunda gravidez é a falta de paciência para as conversas que advém de outras mães com 2 ou mais filhos. NÃO HÁ PACHORRA!!! Oiço e sorriu só numa de boa educação, porque a vontade é mandar todas pastar e dizer que não estou com pachorra para comparar partos como as velhotas que passam a vida no centro de saúde a ver quem tem mais doenças. Chego mesmo àquele ponto de blá blá blá Wiskas saquetas.
Claro que dou sempre ouvidos às boas amigas e família muito próxima, mas isso não quer dizer que diga Amém a tudo.
Claro que depois dos enjoos, a subida de peso, o aparecer da barriga, o sentir do bebé, a alegria do companheiro e do mais velho, começas a pensar que tudo vai correr bem e desfruta a viagem porque vais fazer tudo por tudo para não comprares este tipo de bilhete outra vez.
Eis que reparas que és mais selectiva e menos impulsiva nas compras das coisas para o bebé porque tens plena consciência que abusaste no primeiro. Começas em busca de empréstimos e chegas ao ridículo, mas muito bom, de seres contactada por mães depois de ti que ainda têm coisas que tu prontamente emprestadeste, e pensas: "Espectáculo!!! Isto sim, isto é muito boa onda."
Dás por ti a guardar a roupa do mais velho para o mais novo porque já sabes que a roupa dura pouco porque eles crescem rápido e, no meu caso, lá tive de comprar o que se perdeu do primeiro (que por acaso também fui eu que comprei) porque ficou na casa que era tua que "largaste" e que levou sumiço estratégico-justificado. 
A figura muda e apesar de não teres ganho muito peso pensas que todas as hipóteses de entrares nos 40 enxuta, podre de boa, caem por terra. Porque se já estava difícil sem estares grávida... bem... vai ser uma missão impossível. E depois lá vem a insegurança de que depois tens de viver a recuperação do parto, a fase do pós em que tu és uma vaca autêntica que tens de te adequar a uma nova realidade e com as exigências da vida do mais velho começas a imaginar se o companheiro vai perceber... A ver vamos. 
A postura é bem mais descontraída, mas não é à vontadinha. Os receios são os mesmos. Que tudo corra bem na hora do parto. Que o bebé seja saudável e perfeito o resto corremos atrás (como diz a sabedoria brasileira).
Mas quando se sabe para o que se vai e se o primeiro já foi difícil, até passar a hora e ver-me a desfrutar desta família que alargo com meu filho, tua filha e nosso filho e continuar contigo aí sim. Penso... Bora lá aproveitar isto ao máximo!!!!

A menos de um mês porquê isto tudo???
Porque me apeteceu saborear com calma este estado de graça e porque deu vontade de partilhar sem filtros.