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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Happy birthday its over

No rescaldo do dia de ontem foram muitos os que me quiseram dar os parabéns. Não foi mau. Pelo o contrário. Mas a mensagem que gostei mais de ouvir no meu correio voz foi a da minha avó materna. "Ó Liliana o que se passa contigo que estou farta de te telefonar e não sei nada de ti???!!! Já estou preocupada." HA HA HA
Explicar à minha avó naquele momento que não ouvi o tlm porque estava no concerto dos Iron  Maiden e que por mais que quisesse não ouvia nada. E depois ainda tinha que explicar quem são os Iron Maiden e fazer o report todo do meu dia. Àquela hora da noite já ela dormia, já tinha telefonado ao meu pai ou à minha mãe para saber o que se passa e eu naquele momento já não tinha bateria.
Mas senti falta de um telefonema. A última vez que o tive a minha falecida avó ainda estava bem de saúde e sempre que fazia anos ligava-me, quando eu atendia cantava-me sempre os parabéns. Ontem não ouvi uma única vez os parabéns. Vem com a idade acho... deixamos de ouvir... Enfim...
Fiz os bolinhos para comer mais tarde http://mimfazcoisasboas.blogspot.pt/2013/05/mad-cat-cake.html?spref=fb porque até para comemorar é num dia mais tarde porque de semana toda a gente trabalha.
Passamos a infância e a adolescência a querer ser grandes e adultos para depois na idade adulta as coisas deixarem de ter piada.
Foi um dia sem tempos mortos, o que foi bom, apesar de não poder ficar a manhã na cama e tal. Mas terminou bem e com tempo para  quem amo e prezo, com pena de não ser todos. O filhote, o autocolante e os amigos estiveram lá. A família esteve lá em pensamento, mas os mimos presenciais ficam para o fim-de-semana :).
A melhor prenda de todas foi mesmo a do meu filho. Fui busca-lo à escola e reparei que vinha com um papel na mão e muita preocupação em não larga-lo. Pensei: "Bolas!!!! Mais um recado da professora." Mas não. O papel é este:


Este presente vai andar sempre comigo <3.

A noite termina em grande: \m/ UP the IRONS\m/




Para o ano há mais!!!! Se Deus quiser.



domingo, 26 de maio de 2013

Friday night out

Mais uma saída para ver umas bandas a tocar. O destino é já conhecido - Side B- um bar em Benavente que preza pela musica mais pesada e alternativa. Algo raro em terras ribatejanas e onde este tipo de saída e programa não imperam.
Motivo: ver bandas no contexto de warm up para o Rock In Rio Sado, cujo o apoio é feito pela rádio SuperFM, e em que o conceito é valorizar bandas portuguesas com um estilo oposto ao que já se está habituado. Tendo em conta que o Portugal ao Vivo 1993 vai ter uma versão de comemoração dos 20 anos no estádio do Restelo este Rock In Rio Sado está, para mim, com um cartaz e um objectivo bem mais aliciante que o "Venha comemorar 20 anos de um concerto que foi pensado para o Rock e bandas portuguesas e oiça o que já está cansado de ouvir na radio todos os dias à mesma hora."
Em conversa com os amigos, e depois de ouvir as palavras do vocalista dos Fuzz Drivers a referir que as pessoas dão 130 euros para ir ao Optimus Alive enquanto há iniciativas de valor à musica portuguesa. Chego à conclusão que, apesar de eu até ter gostado de muitos Optimus Alives e não vou agora porque não quero dar balurdios por uma só banda que gosto e visto que não me identifico muito com o resto do cartaz, há muita fartura e muita desculpa. Lembro-me que há uns bons anos atrás era raro vir uma boa banda tocar em terras lusas, era raro haver organizações para festivais com musica portuguesa de qualidade, era raro haver um bom bar de música ao vivo. Hoje há muita oferta e pouca valorização ao que há . Há muita desculpa. Antes faziam-se quilómetros para ir a um bom bar e dormia-se na estação de comboios se fosse preciso, agora fazer mais 20 kms de auto-estrada limpa já dá trabalho. Enfim... não se percebe. É mais facil ver depois os vídeos no Youtube porque há sempre alguém que grava e publica, mas depois critica-se a falta de apoio à musica portuguesa e aos artistas, os quais tocam para salas praticamente vazias em que a plateia se resume às outras bandas da noite, o pessoal do apoio e um ou outro gato pingado que aparece por curiosidade. Numa era de partilha e publicidade fácil falta de informação não é desculpa. A preguiça é inimiga do sucesso e da arte conseguir chegar a nós, visto que não queremos alcança-la.
Ficou uma noite para lamentar na falta de apoio do público mas para agradecer pela qualidade artística, boa música e bom espectáculo.



Se quiserem saber ou ouvir é estar atentos e irem até lá!!!! Poderão saber onde e quando aqui :
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.525674380806129.120549.493407854032782&type=3




quarta-feira, 1 de maio de 2013

Avó...

Sempre me considerei uma sortuda por ter avós razoavelmente novos em comparação com os meus amigos.  
Mas o passar dos anos e o facto de ir crescendo e vivendo a minha vida foi alterando o comportamento para com eles, não implicando uma ausência. Apenas notando certos afincos de personalidade que quando somos crianças passam ao lado e que depois se tornam claros quando chegamos ao patamar da maturidade e idade adulta. 
Com a minha avó não foi diferente. O facto de ser adulta foi-me revelando histórias e vivências que montaram uma personalidade da minha avó por vezes antagónica do que ela era para mim quando criança. Apesar de tudo para mim é e será sempre a minha "vózinha". Provavelmente saí beneficiada pelo facto de não conviver com ela todos os dias, mas isso não me fez distanciar o sentimento e ligação que possuo. Acredito que essa ausência também prejudicou-me noutros aspectos, mas acho que isso fez com que a relação que sempre tive com ela foi desinteressada e sanguínea. 
Foi uma mulher sofrida (calculo) que ficou sem mãe na altura que mais precisou (se há alguma altura em que não se precise de mãe) e criada pela vida árdua do campo entregue ao pai e família que demonstravam a dureza da pedra e do solo. Desde nova trabalhou de sol a sol e debaixo dos caprichos e dureza do tempo e dos campos como tantas outras crianças da idade dela e até mais novas.
Serviu em casa de senhores, teve os seus filhos e netos, mas sempre com a personalidade dura da sua criação mas detentora de um grande coração (a par com o seu típico mau feitio, cuja amostra detenho em herança) e voz e personalidades fortes. 
Valorizava a mesa cheia de família, a comida e o bom vinho. Dizia que rir espantava o diabo e que se o dinheiro fosse merda o pobre nasceria sem buraco do cu. É mesmo assim e quem se chocar que se aguente. Era temida por alguns e amigos tinha poucos, mas bons.
Quando soube da noticia da sua morte fiquei sem resposta. Não foi surpresa porque estava muito doente, demasiado doente e muito debilitada. Penou um pouco e a morte terá sido um alívio, uma paz... Espero.
Mas senti-me sem chão. E desde esse dia retomei uma serie de episódios antigos, lembranças que guardo dela.
A memória mais carregada é de quando chegava com os meus pais para passar o mês de agosto em casa dela. Não tínhamos carro e fazíamos um percurso a pé com sacos e malas até sua casa. Os meus pais carregavam e eu saltava saltava até ver o portão verde garrafa logo no final da curva. Quando o via corria e gritava por ela com toda a força até parar no abraço e colo que ela me dava até sentir o cheiro da bata que trazia sempre vestida. Cheirava a avó!!! Este cheiro regressou agora. Incrível como a nossa memória faz reviver cheiros. 
Ela esmagava a minha cara de beijos e mais beijos. A partir daí era uma festa. Férias no campo e avós com fartura. Lembro-me de comer amoras silvestres com ela a caminho da horta e do campo de milho quando íamos de carroça. Lembro-me do pior sítio que comi até hoje onde ela me levou porque era barato - Gato Preto, um trauma gástrico e gastronómico que nunca mais esquecerei. Lembro-me de algumas coisas menos boas, todos temos essas. Lembro-me das matanças do porco que se faziam e de a ver trabalhar e fazer ver a muito homem feito. 
Recordo-me de algumas conversas que tivemos... muitas... De dormir com ela sentada a meus pés no sofá da sala e de me enrolar que nem um casulo nos cobertores. Lembro-me quando me deu os brincos de ouro branco pelos meus 6 anos. Apesar de não usar em mais velha porque achava careta, casei com eles postos e volta e meia ainda uso... como agora. Agora adoro usar porque tenho a real noção do significado de tamanha oferta.
Sempre muito orgulhosa dos netos demonstrava carinho, mas também soube ser implacável, principalmente com aqueles que com ela mais conviveram.
Dizia que mulher nenhuma da terra tinha netos tão bonitos, era vaidosa nisso, mas não era uma mulher vaidosa.
Guardou feridas no coração até morrer, angústias que sempre a acompanharam e sentimentos que não esmoreceram, mas que forçava em domar e apagar da lembrança. 
Apesar de ser diferente a ela em muitas coisas revejo-me em algumas. Vou sentir falta das conversas e da alegria dela, de me perguntar pelo borrado (o meu filho).
Nos últimos tempos da sua vida já não tinha muita alegria porque a doença lhe roubara muita coisa o que para ela foi perda de dignidade. A velhice e a doença são cruéis para quem delas padece e para quem acompanha. Entristece a alma e seca o nosso ser.
Sei que vou estar sempre com ela no meu coração, apesar dos pesares, e a cada pedra, grão de areia, broa de milho, sardinha na telha, canja com arroz e arroz cimento (nome dado por mim e pela minha irmã ao arroz que ela fazia que se atirássemos à parede podíamos colar azulejo) o cheiro a avó vai regressar. 
Espero que sim ...

Beijo avó Gina!!!!
Até um dia!!!!